Doação de respiradores possibilita a abertura de novos leitos de COVID-19 em Maceió

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O cardiologista Carlos Emídio Araujo sentiu sintomas da COVID-19 dias após intubar um paciente no hospital.

O cardiologista Carlos Emídio Araujo sentiu sintomas da COVID-19 dias após intubar um paciente no hospital.

Doação de respiradores possibilita a abertura de novos leitos de COVID-19 em Maceió

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Em abril de 2020, o cardiologista Carlos Emídio Araujo, da Santa Casa de Maceió, estava de plantão na emergência quando foi chamado para um procedimento de intubação de um paciente com COVID-19. Dias depois, era o próprio médico que seria colocado na ventilação mecânica.

No início dos sintomas, Carlos teve dor de ouvido, febre e calafrios. A evolução para um quadro de falta de ar e fraqueza o levaram a fazer o exame RT-PCR (de resultado positivo) e uma tomografia que demonstrou o comprometimento de 25% dos pulmões – dali a poucos dias, superior a 75%. Internado durante o mês de maio quase inteiro, ele passou 15 dias na UTI, sete deles em ventilação.

"Quando os colegas médicos me disseram que eu ia ser intubado, fiz uma chamada de vídeo para falar com meus três filhos sem me despedir deles, mas na incerteza se voltaria a vê-los", lembra Carlos, que tem 43 anos.

Médica da unidade de neurointensivismo, setor da Santa Casa de Maceió que foi convertido em UTI de COVID-19 durante a pandemia, Solange Maria Novelli conta que a nova doença afetou todo o hospital. Ela lembra da dificuldade para conseguir EPIs, ventiladores e outros aparelhos, e do afastamento de funcionários pelo coronavírus. "Nunca imaginei passar por isso. A dimensão dessa pandemia ultrapassa os limites do hospital, do meu ofício", avalia.

Diante da necessidade de ampliar sua estrutura de atendimento, a equipe da Santa Casa de Misericórdia de Maceió contou com a ajuda da Raia Drogasil, que doou à instituição 5 ventiladores pulmonares e 11 oxímetros de pulso. A ação é parte da campanha #TodoCuidadoConta, uma iniciativa que vem destinando R$ 25 milhões a 50 hospitais do país para o tratamento de pacientes com COVID-19.

"Essa aparelhagem atua na substituição ventilatória e monitorização dos doentes críticos", explica Solange. "Em pleno momento de escassez de recursos, possibilita a criação de novos leitos, que vão continuar a ser utilizados na monitorização de pacientes graves em nossas UTIs."

Totalmente recuperado da COVID-19, Carlos voltou logo à rotina de emergências do hospital, mas não esquece o que passou. "Pude sentir a fragilidade do ser humano, pois quase fui vencido por um ser microscópico", diz. "Recebi uma nova chance para ajudar mais como médico. Nesse sentido, sinto uma gratidão enorme pela doação, pois um desses respiradores pode ter salvado a minha vida e de muitos que também precisaram."

"Sinto uma gratidão enorme pela doação, pois um desses respiradores pode ter salvado a minha vida e de muitos que também precisaram."

SAIBA MAIS SOBRE ESSA DOAÇÃO

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