Enfermeira é curada de COVID-19 no próprio hospital onde trabalha, com estrutura reforçada por doações

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A enfermeira Taís Cristina Rosa, de 35 anos, venceu o coronavírus e agora segue firme na missão de conter a pandemia

A enfermeira Taís Cristina Rosa, de 35 anos, venceu o coronavírus e agora segue firme na missão de conter a pandemia

Enfermeira é curada de COVID-19 no próprio hospital onde trabalha, com estrutura reforçada por doações

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"Não imaginava passar por uma situação de tanto stress, de tanta apreensão. A COVID-19 mudou tudo". O depoimento pode parecer o de um profissional iniciante, mas, na verdade, é do experiente Fábio Bombarda, médico responsável pela UTI de COVID-19 da Santa Casa de Araçatuba, referência para coronavírus no noroeste paulista.

Para enfrentar a pandemia, a Santa Casa criou 95 leitos dedicados ao tratamento da doença (25 deles de UTI), treinou suas equipes à exaustão e passou a reavaliar diariamente o fluxo de trabalho para evitar superlotação e desassistência.

Não demorou muito para que seus profissionais fossem diretamente afetados. Primeiro, era a sobrecarga física e emocional que os levava a se licenciar. Depois, o próprio vírus. Enfermeira oncológica do hospital, Taís Cristina Rosa, 35 anos, suspeita que contraiu a doença ao transferir um paciente para a UTI de COVID-19 durante um plantão.

"Sentia uma dor de cabeça insuportável, depois uma dor no corpo terrível. Então, vieram a tosse seca, a fadiga e a falta de ar", lembra Taís, que ficou sete dias internada na própria Santa Casa. De volta ao trabalho, apesar da persistente fadiga, ela agora tem uma nova visão sobre a doença. "É uma incerteza, algo que não segue um padrão e causa efeitos diferentes em cada organismo."

Outra dificuldade da Santa Casa para encarar a crise eram as carências estruturais. "No ambiente do SUS já trabalhamos com certas limitações, e a pandemia trouxe à luz essas necessidades", diz Fábio. "Só tivemos sucesso em nos organizar graças ao apoio de empresas e instituições, ao envio de verbas governamentais e ao empenho dos profissionais".

Dentre as ajudas recebidas pela Santa Casa, a Raia Drogasil destinou à instituição quatro desfibriladores, dez monitores multiparâmetros e 60 reguladores de pressão como parte da campanha #TodoCuidadoConta. Criada pela empresa para apoiar o combate à COVID-19, a iniciativa compreende a doação de R$ 25 milhões para 50 hospitais no país.

"Depois que esses itens começaram a ser doados, não precisamos mais fazer a distinção entre profissionais: todos que estão dentro da ala de COVID-19 recebem os mesmos materiais", diz Fabiane. "Tanto que a gente passou a se enxergar realmente como um exército, com as mesmas roupas e proteções na luta pelo mesmo objetivo. Maior que o legado material, recebemos um legado emocional, de saber que a sociedade foi impactada pelo nosso trabalho, sensibilizada pela situação e nos abraçou".

Para Fábio, as doações vão ser úteis no futuro. "Esses equipamentos não servem apenas para a COVID-19, mas para diversas patologias. É um legado que vai beneficiar e muito a saúde pública no Brasil", diz.

"Eu senti na pele a importância do cuidado com o outro. É preciso enxergar o paciente como um ser que, além da doença, tem valores e sentimentos, e exercer empatia."

SAIBA MAIS SOBRE ESSA DOAÇÃO

Santa Casa de Araçatuba

Araçatuba SP

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