Doação de materiais hospitalares salva pacientes de COVID-19 e protege profissionais de UTI em São Paulo

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A enfermeira Débora Tiburcio dos Santos diz que as doações vão continuar ajudando depois da pandemia

A enfermeira Débora Tiburcio dos Santos diz que as doações vão continuar ajudando depois da pandemia

Doação de materiais hospitalares salva pacientes de COVID-19 e protege profissionais de UTI em São Paulo

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"O que estou aprendendo nestes seis meses não aprendi nos últimos dez anos como coordenador da equipe de fisioterapia." Mudam as profissões – médico, fisioterapeuta, enfermeiro –, mas não muda o desafio imposto pela COVID-19 aos trabalhadores da linha de frente. "Nunca fomos tão acionados como na pandemia", conta Wendell Rodrigo Ramos, gestor de fisioterapia da Casa de Saúde Santa Marcelina, em Itaquera, na zona leste paulistana.

Wendell lista a diversidade de funções que a nova doença demandou dos fisioterapeutas. "Para os pacientes menos graves, passamos exercícios respiratórios para que não piorem e não precisem ir para a UTI. Também estimulamos a mobilização precoce para que a alta hospitalar ocorra com a menor sequela possível", explica.

"Nos pacientes graves, somos nós que, com a ajuda de médicos e enfermeiros, realizamos a pronação [técnica de reposicionamento do paciente no leito] e cuidamos da ventilação mecânica dos intubados, avaliando qual modalidade ventilatória é melhor para cada caso", diz. Como também são os fisioterapeutas que retiram o tubo da traqueia dos pacientes, não seria exagero afirmar que nenhum outro profissional da saúde fica tão vulnerável ao coronavírus.

O fisioterapeuta Wendell Rodrigo Ramos conta que aprendeu mais na pandemia do que em anos de carreira

"Trabalhamos diretamente com a parte respiratória, por isso ficamos muito expostos à contaminação", afirma Wendell. "Com a carência de fisioterapeutas especializados, nossos profissionais começaram a trabalhar também nos hospitais de campanha, às vezes com mais de dois empregos. Com isso, 62% da minha equipe se contaminou", relata.

Apesar das dificuldades, os fisioterapeutas da Casa de Saúde Santa Marcelina tiveram um bom motivo para comemorar. O hospital foi um dos 50 contemplados pela campanha #TodoCuidadoConta, criada pela Raia Drogasil para doar R$ 25 milhões para ajudar no combate ao coronavírus.

Com a parte que recebeu, o Santa Marcelina adquiriu oxímetros, um aparelho de eletrocardiograma, 10 de hemodiálise e 700 aventais descartáveis. "Os aventais dão confiança ao fisioterapeuta e aos profissionais da saúde. Fazem com que toquemos nos pacientes sem medo e com mais aproximação", diz Wendell. Ele também destaca a importância dos aparelhos voltados ao tratamento renal: "Muitos dos pacientes graves de COVID-19 na UTI precisam fazer hemodiálise. Estes aparelhos salvaram vidas... Muitas!".

Supervisora de enfermagem do hospital, Débora Tiburcio dos Santos expressa sua gratidão. "Esses equipamentos fazem grande diferença na nossa assistência, e continuarão nos ajudando após a pandemia", diz.

"Muitos dos pacientes graves de COVID-19 na UTI precisam fazer hemodiálise. Estes aparelhos salvaram vidas... Muitas!"

SAIBA MAIS SOBRE ESSA DOAÇÃO

Hospital Santa Marcelina

São Paulo SP

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