Hospital de Indaiatuba supera escassez e inflação de suprimentos com itens doados

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O professor de Educação Física João Henrique Leite, 48, ficou mais de um mês internado, em estado grave

O professor de Educação Física João Henrique Leite, 48, ficou mais de um mês internado, em estado grave

Hospital de Indaiatuba supera escassez e inflação de suprimentos com itens doados

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"Papai, ontem à noite eu ganhei um Hot Wheels novo que tem um Papai Noel. Todos os dias cuido super mega ultra bem da mamãe. Estou mandando alguns desenhos. A mamãe não tá conseguindo fazer os lanches deliciosos. Fica queimado. Eu te amo. Que você volte logo. Ass: Pedro Henrique".

A cartinha do menino de 7 anos para o pai hospitalizado, João Henrique Leite, 48, deve ter dado alguma força transcendental para o professor de Educação Física. Apesar da profissão saudável, João Henrique é diabético, hipertenso e apresentava sobrepeso quando foi diagnosticado com COVID-19. Internado no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC), em Indaiatuba (SP), ele foi intubado, traqueostomizado, teve septicemia e ficou em estado crítico.

"Não desejo pra ninguém o que passei", diz João Henrique. "Cheguei com 112 quilos no hospital e, 35 dias depois, estava com 82. Até hoje não recuperei a estabilidade dos membros inferiores e tenho uma persistente sensação de dor e dormência nos pés e nas mãos", conta.

Maria Cristina Costa diz que amadureceu como médica e como ser humano na pandemia

Acostumada a ver pacientes em situação delicada, a médica socorrista Maria Cristina Costa vivenciou na pandemia uma realidade inédita até para ela. "Sob qualquer ângulo que eu olhe para essa doença, está sendo o maior desafio da minha carreira. Ter participado da linha de frente me fez amadurecer como médica e ser humano", diz.

"Sentíamos medo de não sair vivos e de sermos o vetor da doença para nossos familiares", conta a médica, que é coordenadora do pronto-socorro do HAOC. "Tudo isso somado à experiência de ver tantas vidas perdidas, tantas famílias para as quais tivemos que noticiar óbitos." Havia, ainda, o receio de faltar suprimentos. "Com a pandemia, os materiais hospitalares ficaram escassos e seus preços alcançaram níveis estratosféricos", relata.

Para amenizar esse cenário, algumas doações começaram a chegar. Em uma delas, da Raia Drogasil, a Fundação Leonor de Barros Camargo – mantenedora do HAOC – ganhou dezenas de milhares de EPIs e está prestes a receber 11 monitores multiparâmetros. A ação é parte da campanha #TodoCuidadoConta, que vem apoiando 50 hospitais do país com a doação de R$ 25 milhões para o combate à COVID-19.

"Com esses itens, os profissionais se mantêm protegidos e os pacientes vão ficar mais seguros pela monitorização em aparelhos modernos", diz a médica. Para João Henrique, a doação ajuda a reduzir os estragos da doença na cidade. "Uma ajuda desse porte tem grande impacto no combate ao vírus, que destrói lares e famílias. Recebi uma chance a mais para caminhar entre aqueles que eu amo, e agradeço muito a eles: à minha esposa, pela fé inabalável, e ao meu filho, por sua cartinha".

"Recebi uma chance a mais para caminhar entre aqueles que eu amo, e agradeço muito a eles: à minha esposa, pela fé inabalável, e ao meu filho, por sua cartinha"

SAIBA MAIS SOBRE ESSA DOAÇÃO

Hospital Augusto de Oliveira Camargo

Indaiatuba SP

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