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EPIs doados a hospitais de Manaus dão mais segurança aos profissionais de saúde

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O médico intensivista Paulo Henrique de Freitas diz que nunca vai se esquecer dos desafios enfrentados durante a pandemia

EPIs doados a hospitais de Manaus dão mais segurança aos profissionais de saúde

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Manaus foi uma das primeiras capitais do país a vivenciar o caos da COVID-19 em sua plenitude, das superlotações em UTIs às filas de carros funerários nos cemitérios.

"Nós não tínhamos a dimensão do problema", diz Paulo Henrique de Freitas, gerente técnico e médico intensivista do Hospital e Pronto-Socorro Dr. Aristóteles Platão Bezerra de Araújo, na capital amazonense. "Eu pegava os prontuários e ia conversar com os familiares. O desespero e o sofrimento eram visíveis no olhar daquelas pessoas, que não podiam ver os parentes. A gente era o único elo. Fazíamos até vídeos dos pacientes para eles, às vezes o último vídeo... Nunca vou me esquecer disso".

Paulo adotou o costume de trocar de roupa no carro, antes de chegar em casa, para evitar contaminar a família. O risco de contágio ampliou o clima de tensão das equipes médicas. "Não bastasse a gravidade dos pacientes, a demanda inesperada por tantos equipamentos de proteção individual (EPIs) fez com que não tivéssemos a quantidade necessária para todos os profissionais", lembra Fabiane Oliveira da Silva, que foi gerente de enfermagem do HPS Platão Araújo até maio de 2020, antes de ser transferida para a ala de COVID-19 do Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Pereira Machado, também em Manaus.

A enfermeira Fabiane Oliveira da Silva conta que era preciso escolher quais profissionais iam usar máscara N95, porque não havia EPIs para todos

"Também percebemos que a equipe começou a adoecer porque a qualidade dos EPIs não era boa. Tínhamos de selecionar quem teria prioridade para usar as máscaras N95 e quem não teria, inclusive entre profissionais do mesmo setor, expostos ao mesmo risco", conta Fabiane.

Com isso, funcionários dos hospitais manauaras decidiram mobilizar amigos e mídias sociais em busca de doações. E a ajuda começou a chegar. Em uma das iniciativas mais importantes, a Raia Drogasil destinou 10 mil kits de proteção com avental cirúrgico, capuz e botas e 5 mil conjuntos de anteparo facial aos hospitais Platão Araújo e João Lúcio. A doação desses EPIs integra a campanha #TodoCuidadoConta, uma ação da empresa para apoiar o combate à COVID-19, com a distribuição de R$ 25 milhões para 50 hospitais do país.

"Depois que esses itens começaram a ser doados, não precisamos mais fazer a distinção entre profissionais: todos que estão dentro da ala de COVID-19 recebem os mesmos materiais", diz Fabiane. "Tanto que a gente passou a se enxergar realmente como um exército, com as mesmas roupas e proteções na luta pelo mesmo objetivo. Maior que o legado material, recebemos um legado emocional, de saber que a sociedade foi impactada pelo nosso trabalho, sensibilizada pela situação e nos abraçou".

"Maior que o legado material, recebemos um legado emocional, de saber que a sociedade foi impactada pelo nosso trabalho, sensibilizada pela situação e nos abraçou"

SAIBA MAIS SOBRE ESSA DOAÇÃO

HPS João Lúcio e HPS Platão Araújo

Manaus AM

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